Febraban: SPB

Na reestruturação do SPB promovida pelo Banco Central em 2002, a Apel foi incumbida pela Febraban a orientar os bancos no planejamento da mudança, além de facilitar a gestão integrada das ações de adequação. “Ninguém conseguia racionalizar, tornar aquilo uma coisa palatável e o Aerton conseguiu, com toda a capacidade que ele tem de traduzir de uma forma muito fácil o que é complexo”, conta Vanda Pita [...]

O Sistema de Pagamentos Brasileiro é, sem sombra de dúvidas, um dos mais relevantes projetos do sistema financeiro do país dos últimos anos. Conforme avalia Aerton Paiva, da Apel: “apesar de seu foco utilizar a tecnologia de informação como base, foram grandes as mudanças na arquitetura de liquidação do sistema financeiro, com a criação de novas câmaras e a melhoria dos modelos de garantias nas demais existentes”.

Projeto de mudança de difícil compreensão por sua extrema complexidade (para entender mais sobre o SPB, clique aqui), os bancos tiveram que recorrer à ajuda especializada em projetos, chamando a Apel para pensar a metodologia necessária para implantação do novo sistema.

A relação a ser pensada primeiramente era a que existia entre os bancos e o Banco Central (Bacen). Como fazer para controlar tamanho volume de mensagens de movimentações financeiras agindo sobre as contas-reserva de cada um dos bancos? Para ilustração, podemos pensar em seu funcionamento como o de uma conta pessoal, pois cada banco pode operar apenas com os recursos que ali possuir. A grande diferença em relação ao funcionamento anterior do sistema financeiro está no fato de que essa conta é monitorada pelo Bacen em tempo real. E caso um banco precise operar além dessa reserva, a instituição recorre a uma espécie de empréstimo denominado Redesconto Intra-dia, mas que deve ser pago ao final do mesmo dia, quando a conta reserva de cada um dos bancos deve fechar sem pendências. A liquidação em tempo real garantiu a queda do Risco Sistêmico na economia brasileira.

Mas não era apenas essa relação que deveria ser revista. Não foi uma alteração fácil. Desde que o Bacen determinou a implantação do SPB, foram necessários dois anos para concluir todo o processo. O volume de trabalho era imenso. “Na verdade tivemos que fazer uma revisão integral de todos os produtos bancários, porque mudara a lógica. Um produto com a premissa de liberar recursos financeiros para o cliente sem antes ter a contrapartida começou a ser considerado operação de crédito”, explica Aerton. Foi necessário pensar em todos os detalhes desde o saque que o cliente fazia no caixa, pois o Bacen não mais cobriria saldos devedores. A Apel desenvolveu uma metodologia que permitiu a análise de impactos a cada um dos produtos e áreas do banco com a transição ao novo sistema. E o fez com sucesso

Além disso, deu apoio na atualização, reformulação e criação de órgãos complementares ao processo, como Cetip e CIP. Assim, a Apel se tornou responsável por diversos trabalhos satélites relacionados ao SPB. “A Apel era só SPB ao longo de todo o projeto”, revela Aerton sobre a empresa na época, mais uma vez comprovando sua dedicação aos clientes. Vanda Pita, hoje da Superintendência de Responsabilidade Social e Assuntos Corporativos do Santander Banespa, lembra da época com angústia e alivio. “Ninguém conseguia racionalizar, tornar aquilo uma coisa palatável e o Aerton conseguiu, com toda a capacidade que ele tem de traduzir de uma forma muito fácil o que é complexo”.

A Participação da Apel

 

Até então a federação achava que um grupo de vários bancos era capaz de fazer qualquer projeto, nós fizemos com que se percebesse que este projeto era diferente e precisava de uma empresa full time, que nos ajudaria inclusive nos relacionamentos com o Banco Central.”

A Apel começou seu envolvimento no SPB trabalhando com um só banco, mas acabou auxiliando todo o setor. “Primeiro nós fomos contratados pelo BankBoston, que concluiu que precisaria de apoio”, conta Aerton. “Começamos entendendo o projeto através da leitura de toda a especificação fornecida pelo Bacen.” A partir daí, a empresa escreveu e aplicou a metodologia nesse banco. O próximo a procurar Aerton foi o Banco Mercantil, que queria saber se a metodologia desenvolvida também poderia ser aplicada ali. “Fazendo pequenas mudanças, era possível”, diz Aerton. E assim, sucessivamente, outros bancos passaram a procurá-lo. O próximo foi o Bradesco, depois Unibanco. “No Unibanco o interessante é que a contratação da Apel veio de um alto executivo de negócios”, lembra José Mário Belesso, responsável pela implantação do SPB nesse banco. Então o Santander: “O sistema brasileiro era muito complexo pra todo mundo. Nós trouxemos um funcionário de alto nível pra cá e ele também resolveu chamar a Apel para nos ajudar”, diz Vanda.

Quando a Apel já estava trabalhando com cerca de dez bancos, foi a vez da Febraban. “Até então a federação achava que um grupo de vários bancos era capaz de fazer qualquer projeto, nós fizemos com que se percebesse que este projeto era diferente e precisava de uma empresa full time, que nos ajudaria inclusive nos relacionamentos com o Banco Central”, revela Belesso, que era também Coordenador do GT-Testes da Febraban, grupo que com a Apel e demais bancos fez o planejamento da implantação e processos de testes que foram apresentados para o Banco Central e aprovados.

A Febraban, enquanto entidade representante do setor, ficara encarregada de viabilizar o projeto, bem como de fazer a ponte com o Bacen. A Apel foi chamada para ajudá-la nesses dois objetivos. O relacionamento com o Banco Central, autoridade reguladora do SPB, não era fácil no começo. É por isso que Aerton avalia que uma das grandes conquistas da Apel foi conseguir uma boa comunicação entre o Bacen e a Febraban.

Belesso concorda. “A Apel teve um papel importantíssimo. Como uma empresa independente, ajudou muito nos relacionamentos, principalmente no apoio aos processos de gestão do plano”. E embora o trabalho tivesse conseguido demonstrar a possibilidade de ampliação do prazo inicial por mais sete meses, o tempo era exíguo.

A Federação congrega 180 bancos, 10 dos quais a Apel já prestava assistência. Ela precisava agora atender os outros 170. “Na Febraban tínhamos formado um grupo de 40 pessoas, que direcionavam, tiravam dúvidas de centenas de profissionais espalhados pelos bancos – tudo controlado por apenas três profissionais da Apel, contando comigo”, relata Aerton. Para atender toda a demanda só havia um caminho: ser criativo. E ele o traçou com notoriedade: “Nós fazíamos encontros que envolviam de 400 a 700 profissionais do setor em um auditório e passávamos detalhadamente métodos de adequação ao novo sistema de pagamento”. As formas criadas para atender a todos foram destacadamente bem sucedidas, segundo conta Belesso, ao afirmar que Aerton “encarou auditórios enormes com centenas de pessoas, fazendo magníficas apresentações com uma qualidade e conteúdo excepcional”. “E nós, da Apel, não deixamos de atender nenhuma demanda”, orgulha-se.

Pouco ou muito trabalho, fato é que a Apel sempre cumpre seu dever com excelência. Vai além porque tem a preocupação não só de resolver problemas, mas de facilitar a vida de seus clientes. Belesso se lembra admirado, “foi excelente, pois ele (Aerton) entendeu rapidamente as necessidades, as colocou em uma ordem lógica e cronológica, ajudou todos a terem uma visão do todo, montou processos de acompanhamentos e controles, onde cada entidade sabia que se passasse por todos os passos sugeridos, a implantação ocorreria com sucesso”. É bom lembrar que cada banco envolvia, além de diferentes áreas, dezenas de produtos que foram olhados um a um, compilados e depois adequados pelas áreas de tecnologia de informação. “Tínhamos que adequar praticamente todos os sistemas dos bancos”, detalha Aerton.

Última etapa: o SPB no ar

 

Foi uma verdadeira operação de guerra.”

Depois de ter feito “a metodologia relativa aos testes, validações e homologação com o Banco Central”, ter afinado “todos os requisitos necessários com o GT-Testes”, através de “vários seminários com toda área bancária onde era explicado e detalhado e entregue em CD todo o processo para que cada banco fizesse sua parte, de uma forma coerente e consistente com os demais bancos”, conforme relata Belesso, a Apel montou o processo para colocar o SPB no ar, o que aconteceu do 21 para o 22 de abril de 2002. “Você dormia e acordava no dia seguinte com o novo sistema funcionando”, explica Aerton. E revela: “O sistema é todo integrado, então o risco era muito grande, em termos de perder informações de clientes, por exemplo. Foi uma verdadeira operação de guerra”.

Para garantir a segurança e eficiência da operação, foi preciso esquematizar um método que cobrisse todos os detalhes. O primeiro passo foi ativar uma sala de controle dentro da Febraban, que funcionou de abril a agosto daquele ano. De lá, a equipe de seis pessoas coordenava tudo o que estava acontecendo no sistema financeiro, minuto a minuto monitorando a grade diária (abertura e fechamento do sistema e as liquidações). Eles conectavam os bancos ao Bacen e resolviam os problemas que porventura apareciam. Esse grupo desenvolveu e colocou no ar um site de caráter informacional. Nele, a equipe mantinha um Information Board, onde eram postadas quaisquer mudanças e ações do sistema financeiro. A responsabilidade era enorme. “Os bancos do país inteiro acessavam para checar o que acontecia e se havia problemas”, conta Aerton. Além da internet, outra ferramenta de trabalho era o telefone, por onde a equipe entrava em contato com cada piloto de reserva dos 180 bancos da federação. O cargo, que existe até hoje, foi criado para que tivesse quem monitorasse internamente o que o Banco Central e, paralelamente, a Apel monitoravam externamente: o fluxo financeiro dos bancos. Ademais, essa equipe mantinha contato com a mesa de operações do Bacen, fazendo a intermediação com os bancos nas situações cotidianas do processo.

Diversos outros países trabalham com o mesmo sistema escolhido pelo Banco Central brasileiro, mas em nenhum a implantação foi tão ágil e bem sucedida quanto aqui. Metas cumpridas, o sucesso foi evidente e transformou a economia nacional frente à comunidade internacional. “Os resultados foram muito satisfatórios, porque o Aerton ajudou a ver o projeto como ele realmente era. Tudo o que era sugerido o sistema bancário fez da mesma forma. Acho que até hoje muita gente não sabe toda a potencialidade deste projeto”, conclui Belesso.

Resultados de um trabalho bem feito

 

A Apel teve a preocupação de colocar recursos que ajudassem nas necessidades do projeto. Para completar, o Aerton é sensacional, inteligente, sabe lidar com as pessoas e entende rápido qualquer questão, além de fazer muito bem o meio de campo.”

Para Aerton, grande parte do reconhecimento da Apel vem do SPB. O projeto, por seu grande porte, permitiu que todo o sistema financeiro averiguasse a competência da empresa. Ele reconhece que a responsabilidade foi enorme, mas a dedicação dada teve a mesma medida. “Gestão de projetos é 90% pura mão no barro e correr atrás das pessoas”, confidencia. “A forma como lidamos com o projeto nos garantiu a Febraban como cliente constante até hoje”, confessa.

Vanda Pita, que também é diretora da Comissão de Responsabilidade Social da Febraban, aproveita para lembrar porque a Apel foi chamada para pensar e colocar em prática a parceria entre a entidade e a Associação Programa Um Milhão de Cisternas para o Semi-Árido. “Percebemos que a Associação não tinha o controle que precisávamos e nos perguntamos o que fazer. Alguém sugeriu que convidássemos o Aerton para trabalhar conosco nessa empreitada. Considerando sua ajuda à Febraban na formulação do SPB, foi o que fizemos”. Belesso, que trabalhou diretamente com o Aerton e com a Apel em diversas fases do projeto, esclarece o que ficou da participação da empresa no SPB: “A Apel teve a preocupação de colocar recursos que ajudassem nas necessidades do Projeto. Para completar, o Aerton é sensacional, inteligente, sabe lidar com as pessoas e entende rápido qualquer questão, além de fazer muito bem o meio de campo”.

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